
O Cérebro do Empreendedor na tomada de decisão
“Brain cortical organization in entrepreneurs during a visual Stroop decision-task”
Elena Ortiz-Terán, Agústin Turrero, Juan M Santos, Peter T Bryant e Tómas Urtiz
Como uma tarefa para minha aula de ERP (potenciais eventos relacionados), na Udelar, me deparei com este paper escrito em 2013 por pesquisadores da IE Bussines School, em Madrid. Ele traz informações interessantes a respeito dos empreendedores e seu processo de tomada de decisão.
Os investigadores aplicaram testes de personalidade (TCI-R: Temperament and Character Inventory-Revised) e um teste Stroop (teste de atenção seletiva com cores e palavras), via um EEG (eletroencefalograma), a uma amostra de 25 empreendedores e as compararam com 25 não empreendedores (grupo de controle). Selecionaram os empreendedores considerando pessoas que fundaram pelo menos uma empresa ao longo de sua trajetória profissional.
Queriam entender quais as características que mais diferenciavam os empreendedores na tomada de decisão e, desta forma, trazer novos elementos para a possível existência de uma “Cognição Empreendedora”, ou seja, “o conhecimento estruturado que as pessoas usam para fazer análises, julgamentos e decisões envolvendo avaliação de oportunidades, criação de negócios e crescimento”.
A análise estatística dos dados coletados (relação entre os scores de personalidade, as latências e tempos de resposta no teste Stroop) demonstrou que os empreendedores têm maiores resultados em Excitação Exploratória (comportamento de risco, interesse em novas ideias e atividades e intolerância a monotonia), Impulsividade, Ansiedade (por exemplo, na vontade de alcançar os objetivos) e Responsabilidade. Dentre eles, o que mais se destaca é a impulsividade (para uma interessante reflexão entre coragem e impulsividade, veja o post sobre o livro “a sorte segue a coragem”, de Mario Sergio Cortella).
Além disso, obtiveram menor tempo de resposta no teste (N450) do que os não empreendedores. Isso indica maior atenção visual seletiva e maior controle executivo. Ou seja, precisam de menos tempo para ler o ambiente e tomar uma decisão. Em contrapartida, levam mais tempo para a pós-avaliação, para entender os efeitos da tomada de decisão.
Cognitivamente, portanto, os empreendedores são diferentes dos não-empreendedores. E isso lhes dá vantagens competitivas em ambientes dinâmicos, com muita pressão emocional, fatigantes, com excesso de informações, novidades, incertezas e pressão de tempo. Seus cérebros apresentam “atalhos cognitivos”, por exemplo, a capacidade de inventar e fazer descobertas (heurística) para a tomada de decisão. Os empreendedores têm maior capacidade de leitura e processamento de ambiguidades, incertezas e situações complexas.
Lendo o artigo, fiquei com a dúvida do ovo e da galinha. Os empreendedores desenvolvem a cognição empreendedora por que são empreendedores, ou são empreendedores porque tem uma cognição empreendedora desenvolvida?
Os investigadores não entram nesta discussão, mas as amostras selecionadas trazem um dado pelo menos sugestivo. 68% dos fundadores, tinham pais também fundadores. Somente 16% dos não-empreendedores, tinham pais que fundaram pelo menos uma empresa ao longo de suas trajetórias.
O artigo traz também muitas referências bibliográficas interessantes que, sem dúvidas, agregarão mais elementos à discussão.
Sigo investigando…
O link para o artigo está aqui: https://www.dovepress.com/brain-cortical-organization-in-entrepreneurs-during-a-visual-stroop-de-peer-reviewed-article-NAN

4 comentários